
O surgimento do Claves esteve relacionado ao protagonismo de alguns atores institucionais, que reconheciam a importância do tema da violência para a saúde. A presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), à época, ocupada por um dos mais importantes nomes da Reforma Sanitária, Dr. Sérgio Arouca, e a Escola Nacional de Saúde Pública (uma das unidades da Fiocruz), dirigida pelo atuante sanitarista Dr. Paulo Buss, acolheram a iniciativa apresentada pela Associação Latino Americana de Medicina Social (Alames), em junho de 1988, de criar um núcleo interdisciplinar destinado aos estudos sobre violência e seus impactos na saúde da população brasileira e latino-americana.
Inicialmente chamado de Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde |(Claves) foi aprovado pelo Conselho Deliberativo da Ensp, em 28 de novembro de 1988, como centro de pesquisa, ensino e assessoria. Seu nome homenageia Jorge Careli, um funcionário da Fiocruz, sequestrado e assassinado por policiais civis do Estado do Rio de Janeiro, em 1993, cujo corpo nunca foi encontrado. Quase duas décadas após o desaparecimento, em 2012, o Estado declarou, finalmente, a morte presumida do servidor.
A equipe do Claves foi inicialmente coordenada pelo médico sanitarista colombiano Saul Franco e composta pelas pesquisadoras Edinilsa Ramos de Souza e Simone Gonçalves de Assis, duas pesquisadoras precursoras no Claves até os dias de hoje. Um ano depois a coordenação foi assumida pela Prof. Maria Cecília de Souza Minayo, hoje pesquisadora emérita da FIOCRUZ desde 2019 e referência nacional no tema.
Destaca-se a realização do primeiro grupo de trabalho sobre Violência e Saúde na América Latina, ocorrido em dezembro de 1989, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, coordenado pelo Claves e OPAS, com participação de 17 pesquisadores de 8 países da região. Este encontro produziu uma declaração chamando a atenção da sociedade sobre o tema.
A Organização Pan Americana da Saúde - OPAS também é reconhecida como um dos atores institucionais pioneiros no reconhecimento da violência como um problema de saúde pública. Destaca-se a reunião sobre Metodologia de Investigação sobre Violência e Saúde, ocorrida em 1990, em Montevidéu (Uruguay), com participação da equipe do Claves.

Destacamos também a publicação, em 1993, de uma resolução institucional sobre o tema, convocando os diversos setores da sociedade para o enfrentamento desta questão: Acesse o documento clicando no link: (https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/20384/CE111_19.pdf?sequence=1&isAllowed=y).
Destaca-se a participação ativa do Claves e de sua então coordenadora, Prof. Maria Cecília de Souza Minayo, na condução do processo participativo que deu origem à Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências[2], marco institucional publicado de forma pioneira pelo Ministério da Saúde em 2001. Acesse a PNRMAV clicando no link: (https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_reducao_morbimortalidade_acidentes_2ed.pdf)
Em 2002 destaca-se importante contribuição da Organização Mundial da Saúde - OMS com publicação do Relatório Mundial sobre Violência e Saúde[3]Acesse o documento clicando no link:(https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43431/9275324220_spa.pdf).
Em 16 de junho de 2015 o Claves tornou-se um Departamento da Ensp, nomeado Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli, mantendo, no entanto, sua tradicional sigla CLAVES.