Especialistas comentam os 25 anos da Política de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências

Por Bruna Abinara

Violências e acidentes seguem entre as principais causas de morte e adoecimento da população brasileira. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, por exemplo, os sinistros de trânsito e as violências figuram entre as principais causas de óbito no país, evidenciando a dimensão das chamadas causas externas como problema de saúde pública. Nesse contexto, a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências (PNRMAV), que completa 25 anos em maio de 2026, representou um marco de muita relevância ao incorporar o tema das violências e dos acidentes ao campo da Saúde Pública brasileira, ampliando a atuação do setor para além do atendimento aos ferimentos e incluindo ações de prevenção, vigilância, promoção da saúde e atenção integral às vítimas. Para refletir sobre os avanços, desafios e perspectivas dessa trajetória, o Informe ENSP conversou com as pesquisadoras do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP) Cecília Minayo e Edinilsa Ramos que, junto com Simone Assis, tiveram liderança na elaboração da PNRMAV.

Para Minayo, a mensagem central para a celebração dos 25 anos da política destaca o compromisso com a vida. “Em primeiro lugar, a alegria de celebrar uma política que vai contra a maré do biologicismo. O olhar que o setor da saúde precisa destinar à prevenção da violência vai além. Vai desde o ventre da mãe grávida - quantas são agredidas - até o cuidado com a pessoa idosa, vítima de negligências e maus-tratos. Que a consciência de trabalhar para a vida e para a paz nos guie neste momento de inflexão e sempre!”, afirmou.

Já Edinilsa Ramos ressaltou: “A mensagem central é a própria criação e existência da política, porque ela inseriu o tema da violência no âmbito da Saúde Pública. Esse é o grande mérito da política: sua criação e permanência, mesmo diante de tantos problemas, como as dificuldades de financiamento e outras questões de diferentes ordens”. Também defendeu o potencial da PNRMAV para evitar mortes e reduzir o número de pessoas afetadas pelas violências e acidentes, sejam crianças, adolescentes, mulheres, idosos ou tantas outras vítimas. E alertou: “Para que isso aconteça de forma efetiva, são necessários incentivos e investimentos. Caso contrário, a política corre o risco de se tornar apenas uma diretriz formal, sem condições reais de implementação”.

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